Título em Suspensão estréia na capital de São Paulo, SESC Paulista, 2018.

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Programa Metropólis

Alguns textos sobre o trabalho de queridos amigos.

Por Henrique Cartaxo:

“Amo o ar, o som e a destruição.
Amo a sutil, mas não gentil, costura dos instantes.
A respiração e as contrações.
Amo mais as escuridões que os clarões.
Amo mais você que a peruca.

Amo a quebra de expectativa de que você já havia me falado. Porque mesmo com todo seu aviso eu me percebi animado a pensar “oba, vou ver o Du”, como se fosse ver mais do bom de sempre.

Mas é verdade que o tempo andou mexendo com a gente, sim. Há violência no ar da cidade. Há poeira de destruição que sobe, quente dos incêndios, e nos faz rastejar ao nível do chão.

Houve algo de revigorante naquele percurso, te vendo de cima, depois descendo por aquela escadaria externa, vendo a cidade de cima, tirando os sapatos, um certo desconforto de sentar no chão, de ter que dar algo de si para aquela experiência acontecer, um voto ritualístico, que você merece.

O som e o chão branco me remeteram à praia, mas com um céu nublado. Aquela agulha gigante que você manipulava me remeteu a um instrumento que se usa pra cavar buraquinho de fincar guarda-sol.

Tive uma imagem:

Uma praia no inverno.
Um guarda-sol destroçado na ventania.
Um monte areia se move com o vento e descobre uma pedra.

Tenho certeza que você olhou pra mim antes de cuspir a pedrinha. Talvez apenas por eu estar no lugar certo. Uma amiga me fez notar que a pedra caiu exatamente onde você estava sentado no início. Isto trouxe uma idéia bonita de fechamento. Ao mesmo tempo a pedra também é um ovo que você digeriu e pariu, uma gestação inversa que se completa na boca, uma semente do verão.

Verões virão.
Foi um bom novo.
Você está no lugar certo.
Abraço, obrigado, Du.”

 

Por Patrícia Bergantin

“Querido Du,

“Sonhei com você, mas não era você. Seria você talvez no futuro, talvez mais de um você, quem sabe outros. Sonhei que de você se dava a alquimia dos elementos, fogo água ar terra éter. Por você pude enfim compreender coletivamente o tempo espiral, circular e simultâneo, e por alguns minutos atravessar a ilusão que a cronologia fielmente sustenta. Em seus pés por um momento pude ver Ko Murobushi e me emocionei. Uma dança da beira, da morte, da vertiginosa passagem de um instável ao outro. Você falava tão pouco e dizia tanto. Sentindo cheiro da mata, fui hipnotizada entre cada passo cada faca.

Du, sonhei com você e acordei salivando. Com a potência de sua força usadamente sutil, sem vergonha. Como pode transformar tanto poder em fio, tanta gordura em chão? Não me responde.
Prefiro o sabor ao saber.”

Desenho de Daniel Nasser.

Titulo em suspensão desenho de Daniel Nasser

 

 

 

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